finisterra

Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.





Memorial:





Escreve

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

 


Handsome Blue Sky




Era para escrever aqui um poema cuja extensão não poderia ser maior que o percurso que vai da tua cama à cadeira que tens junto à porta da sala que dá para a varanda de onde se vê aquele rio discreto no seu fluir provinciano. Mas me veio do passado a frase Handsome Blue Sky comigo sozinho naquele teatro árabe no improvável ano de 2006 – ainda não te conhecia, mas assistia para ti o poema que um dia hei-de te contar na tua língua de dois idiomas.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 01:22 Comentários:

Domingo, Novembro 09, 2008

 


Shostakovich plays Prelude & Fugue #1 in C op 87


Integridade e solidão é o título de um quadro de Leonilson, feito em 1991. Não sei explicar o porquê, mas agora aqui em Lisboa, no vácuo sem sentido que se tornou o meu quarto medieval, associo esta tela de Leonilson à obra de outro artista, o primeiro dos 24 prelúdios e fugas, de Shostakovitch. Talvez amadurecer seja isto, fazer encontrar nos sedimentos que compõem a nossa sensibilidade e formam o nosso carácter, novas formas de compreensão da arte, e de relacioná-la com a nossa experiência de vida. Um homem sem Deus não é um homem solitário e nem um banido. Vibra em mim, neste corpo que posso oferecer como suporte, a memória das coisas que li, que ouvi e que vi ao longo destes 42 anos, e que é tão pouca e frágil. Esta memória não me torna um homem forte, é verdade, mas põe-me em constante interrogação.

Lembro-me como se fosse hoje, de uma tarde no meu apartamento carioca quando ouvia este mesmo prelúdio e fuga, de me sentir tão sozinho como se o planeta e toda galáxia se esvaziassem de sentido, e chorei porque eu não estava preparado como agora. Eu ainda não tinha encontrado a minha integridade, a minha história pessoal não me era clara, somente uma narração um pouco vaga. Ainda hoje não é muito clara, mas não me sinto humilhado por isso porque encontrei um sentido para ela, algo que justifique manter a vida neste corpo e que faça com que eu não me envergonhe perante o espelho quando faço a barba ou escovo os dentes. Descobri que sei amar, mais e melhor do que sabia aos 30 anos naquele apartamento confortável do Rio de Janeiro. Aprendi a comunicar o desejo do meu amor: às vezes como um náufrago que transmite a sua necessidade de viver, outras tantas como um anacoreta no deserto que envia em sinais o seu desejo de ver os olhos vazados de Deus, e por vezes esse amor era somente prelúdio e fuga.

Mas porque é então que tenho agora a sensação de que uma convicção importante para mim sofreu uma interrogação crucial?

São 05h35 no digital do relógio, e numa capital da Europa um homem não tem mais do que as suas memórias e uma peça musical para lhe fazer companhia. E esta liberdade é tudo o que ele tem.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 05:44 Comentários:

Quarta-feira, Novembro 05, 2008

 


Rosa Parks no dia em que foi presa por ter se recusado
a ceder seu assento no auto-carro para um homem branco
.



Antes dela, com ela e depois dela, gente anónima ou não vem construindo esses Estados Unidos que se tratam por América. O blues, Langston Hughes, Walt Whitman, Nina Simone, os pobres expulsos da Europa, os perseguidos religiosos, os deportados no tráfico negreiro, os latinos, Chet Baker, Kind of Blue, o sol da Califórnia, os arranha-céus de Chicago, John, Jeff and Bill, o chefe indígena Seattle, e aquele americano sem nome que bebi com ele uma vez em Veneza fazem sentido para mim neste momento, nesses Estados Unidos da América, onde talvez agora comece a ser americano para toda a sua gente. É a América que me interessa

- esse novo Mississipi com o nome de Obama, curso amado de leste a oeste.





Escrito por OSCAR MOURAVE às 04:07 Comentários:

Segunda-feira, Novembro 03, 2008

 



Cinema Tunisino: Visa, de Ibrahim Letaief, parte 01




Escrito por OSCAR MOURAVE às 06:03 Comentários:

 

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