finisterra

Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.





Memorial:





Escreve

Quarta-feira, Abril 30, 2008

 


MayDay Lisboa 2008


Contra a precariedade no mundo do trabalho, a favor dos homens e mulheres e pela qualidade do emprego. A História é mesmo cheia de ironia às vezes. Quem diria que poderíamos "ler" El Lissitsky às avessas e afirmar: o hoje é o ontem. "Precários e precárias", amanhã às 13h00 no Largo Camões!

E viva o Primeiro de Maio!



Escrito por OSCAR MOURAVE às 21:35 Comentários:

Terça-feira, Abril 22, 2008

 


"Haikai no renga": 2001


O plátano
em amarela decisão:
tropeço no sol.

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Atordoado,
sob as vestes de pluma,
sai um lamento.






Escrito por OSCAR MOURAVE às 23:56 Comentários:

Sábado, Abril 19, 2008

 



Belô Velloso: É D'Oxum


Nessa cidade todo mundo é d’Oxum
Homem, menino, menina, mulher
Toda a cidade irradia magia
Presente na água doce
Presente na água salgada
E toda a cidade brilha
Seja tenente ou filho de pescador
Ou importante desembargador
Se der presente é tudo uma coisa só
A força que mora n’água
Não faz distinção de cor
E toda a cidade é d’Oxum
É d’Oxum
É d’Oxum
Eu vou navegar
Eu vou navegar nas ondas do mar
Eu vou navegar nas ondas do mar

Composição: Gerônimo / Vevé Calazans


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Lisboa é de Oxum





Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:41 Comentários:

Quarta-feira, Abril 16, 2008

 


Psalterion Blues


Há momentos onde meu pensamento coincide com o desejo na planície devastada da minha língua, e uma nova espécie de sol surge exuberante na forma de mil verbos extasiados: as palavras amor, desejo e precipício ganham um violento brilho. Neste instante, sou habitado por um terramoto, e como um anjo possuído por algum espírito maligno, reescrevo sobre a minha pele, o salmo desesperado da minha perdição.


Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:51 Comentários:

Sexta-feira, Abril 11, 2008

 

Miles Davis & John Coltrane- SO WHAT







Escrito por OSCAR MOURAVE às 14:49 Comentários:

Quarta-feira, Abril 02, 2008

 
Debaixo de chuva: a utilidade do poema



Amiga, será que não é assim mesmo?, por não servir de nada, ele, o poema, se aloja em tudo: cabe na caixa de sapatos de uma miúda no Alentejo e no coração defraudado de Mohamed, o barbeiro em Nablus; cabe no caderno de desenhos da estudante de artes de alguma capital europeia e na marmita do bóia-fria no interior de São Paulo; o poema, esse sujeito sem pátria, frequenta os salões de beleza de Ipanema com o mesmo à vontade que vai à luta na Chechênia. Ele não serve de nada, por isso cospe no prato que come e morde a boca que lhe beija. O poema mata o jovem muçulmano que vai a Barcelona e não salva o cristão do Inferno, o lugar onde uma outra poeta pôs as raízes das coisas. O poema não paga o pão que comemos e nem o cigarro que fumamos. O poema não nos convida para a cerveja e nem vai connosco à consulta médica que nos dará um mês de vida. Mas ele está lá, sempre, na dignidade da sua não-serventia. O poema, a manifestação mais aguda da poesia, é isso mesmo, não serve para nada - mas quando ele não está, sentimos a sua ausência, e assim, a chuva é mais difícil de suportar.





Escrito por OSCAR MOURAVE às 16:05 Comentários:

 

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