finisterra

Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.





Memorial:





Escreve

Segunda-feira, Fevereiro 25, 2008

 
No more blues


O inverno estabilizou os recentes acontecimentos da tua vida envolvendo-os na segurança inequívoca do teu quarto medieval. E como um poema longo, sem direcção e nem princípio, escreves a cada noite um verso inacabado e triste. Lá fora é a chuva sobre a cidade branca. Os seus habitantes, inertes, não mergulham as suas almas para além da superfície ligeira das coisas: os encontros inesperados no metro, a indelicadeza servida no balcão do café e o artigo comentado da última página do jornal constituem uma farsa de vida. E tu queres mais. Enquanto dormes na penumbra segura do teu quarto, do interior do teu coração uma conspiração nova se agita e despertas com um gosto estranho na boca - talvez seja abril que se avizinha.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:48 Comentários:

Quarta-feira, Fevereiro 20, 2008

 



Alejo Carpentier (Mestizaje)


"A pureza é um mito", dizia Hélio Oiticica, e eu lhe acrescentaria, "um mito destrutivo". A irracionalidade de se pensar na ideia de uma pureza racial conduziu o mundo em direcção à catástrofe e ao aniquilamento. Ainda vivemos o eco desta teoria no racismo implícito e explícito do dia-a-dia. Eu queria falar de amor, e de uma cidade na Namíbia que visitarei com aquele amo. Era para falar de uma forma barroca, como um concerto, o enunciado sonoro e prateado. Mas às vezes, a realidade nos cai como um meteorito vermelho sobre as nossas cabeças, e um "volta para a tua terra, pá" requer de nós a reelaboração do entendimento e exige-nos que tomemos uma atitude. "a minha terra também é aqui", e estou aqui para fecundá-la.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 20:53 Comentários:

Segunda-feira, Fevereiro 18, 2008

 


Quatro formas de pensar num círculo: a despedida



Ele me dizia que eu falava a língua do silêncio. Era esquisito, o garoto, pensava que as estrelas cantavam à noite. "Não posso ser convertido, não tenho fé" disse-me muitas vezes. Baalbek Baalbek a cidade do sol, gritava dentro do antigo templo, enquanto fazíamos pose para a foto. Sete caixas de livros fechadas. Cidade estranha esta a que ele escolheu para morrer. Tu ainda danças dentro do meu peito. O fogo tudo purifica. Chove lá fora. O fogo é uma lâmina. Era o meu primeiro filho. O fogo come o futuro. Foi o meu primeiro amor.O fogo é um círculo onde esquecemos as coisas. Era o meu único amigo. O fogo é o fogo. Abandonou-me três vezes, voltou para mim três vezes. No centro do fogo arde a memória: beslama, habibi.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 13:57 Comentários:

 

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