I see the faces change their complexion
peel off their outer skin
I see faces divested
of makeup and masks
and I see an empty stage
the spectators danying their own images
in the third act.
I see a poor man rise
and dream of recreating order.
He doesn't frequent the idlers' cafes
The papers don't carry his picture,
news agencies don't relay his words.
He carves the image of his absent love
on the ceiling of a mountain cave
and sings.
O meu século: as fontes onde bebo e onde me embriago
A música dele organizou o meu entendimento sobre as coisas, pôs o tom exacto da angústia que me serve como uma camisa de gola apertada. Da sua música não fujo porque sei que lá dentro mais dentro, alguma coisa sobre mim aparecerá com uma claridade absoluta. Certa vez, em Cartago, ouvia os 24 Prelúdios & Fugas e nunca mais fui o mesmo desde então. E a cada audição desta obra, saio um outro, e mais outro, e mais outro ainda. Com a sua música superei o gosto do meu pai morto, ancestral. Com a sua música sonhei em cruzar o deserto de muitos corações. Com a sua música aprendi a resistir, a amar e sobretudo a correr riscos. Com a sua música cheguei à poesia de muitos que me eram desconhecidos. A sua música me educou a razão e os sentimentos.
O kiwi é uma fruta que possui polpa de coloração esverdeada em vários tons, com sementes pretas que se distribuem em raio a partir do centro, tem uma casca marrom coberta de micro-pelos. O sabor é doce e, dependendo do fruto, levemente ácido. A sua origem é a China, mas leva o nome de uma ave da Nova Zelândia, dizem que por causa do seu primeiro agricultor que modificou a espécie.
2) Descrição subjectiva: fly me to the moon
Ele estava do outro lado do mundo de onde podia sonhar com a face oculta da lua sem os remorsos de ter abandonado tudo para trás. Em Wellington, a vida parecia ter saído da narração de algum escritor estrangeiro, de nome emblemático. As pessoas estavam sempre na disposição para sorrir e eram simpáticas. O céu - de um azul inexplicável durante o dia - no pôr-do-sol tingia de ocre o que restava das nuvens, deixando no ar uma espécie de melancolia nova, inofensiva. Tudo parecia se harmonizar a favor dele, do seu recomeço. A casa nova não era grande e nem especial, mas estava situada numa pequena colina de onde se via, ao longe, o discreto vai-e-vem do Wellington Harbour. Havia um pequeno jardim com algumas plantas que ele não conhecia, pois nunca foi bom em botânica, e uma cadeira de vime envelhecida, que parecia contar uma história, jazia, derrelida, sob uma árvore. Às vezes, um vento suave tocava, pelas tardes, as janelas da cozinha fazendo-as ranger de maneira esquisita (ele teria de consertá-las). Por dentro a casa estava quase vazia, as paredes brancas sem quadros e sem espelhos, uma mesa na pequena sala e duas cadeiras. No quarto, uma esteira no chão afirmava o território do descanso apartado dos livros, em desalinho, à volta e em todas as direcções, - ele nunca teve talento para organizar livros em estantes. Na cozinha ele tinha chá, - sempre o tivera em todas as casas por onde morou - pão, azeite e sal. Costumava dizer que com estes alimentos grandes civilizações formularam os seus postulados éticos. Ele tinha um certo gosto por frases grandiloquentes. Às vezes sentava-se na velha cadeira embaixo da árvore e pensava, um pouco distraído, que sim, em Wellington era possível recomeçar. Então, imediatamente buscava a justificativa para tal reflexão e se lembrava do primeiro dia em que chegou àquela casa: estava sol e o dia claro como uma lâmina sem memória e, depois de esvaziar as poucas coisas do carro, encontrou na cozinha um cesto com kiwis maduros e um bilhete do seu amigo que dizia: "Welcome to Wellington, my friend".
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words hold my hand
In other words darling kiss me
Fill my life with song
And let me sing forevermore
You are all I hope for
All I worship and adore
In other words please be true
In other words I love you
e passou este Ramadão, e Abdul Jabal não me visitará. Não orei, não cumpri com nenhum dos rigores; pelo contrário, menti, tive dúvidas, não vi luz no fim do túnel, bebi álcool, comi da comida impura, não respeitei as horas de recolhimento, não purifiquei o meu espírito, não busquei a verdade, não ajudei o próximo, não fui à mesquita, não procurei a minha família, afastei-me dos meus amigos, perdi as noites nos bares, toquei no impuro, corrompi o meu espírito, conspurquei o meu entendimento das coisas, não vi beleza no sol, não vi leveza na lua, afastei as estrelas, não fiz a minha cama, não tomei banho nas horas devidas, não jejuei e é provável que eu tenha perdido para sempre um certo brilho que eu trazia no olhar.
mas a vida continua, e sigo adiante com a humanidade com a qual eu fui premiado. E quando ouço esta canção, há qualquer coisa - que ainda não sei bem o que é - que se renova em mim, como a promessa contida na escuridão da semente de uma tâmara:
tajabone,
Na falta da vida, o cinema: a ressurreição em Solaris
É provável que não seja exactamente isso, mas o tema da ressurreição é o que mais me comove neste filme de Tarkovsky. Um homem sai da Terra e vai para uma estação orbital com o objectivo de fechá-la (porque coisas estranhas lá acontecem com os tripulantes). A estação orbita Solaris, um planeta que faz os sonhos e os desejos mais íntimos das pessoas acontecerem. O homem, que é um médico, chega com uma pequena mala, sozinho, como eu quando cheguei à Europa. Ele também traz na bagagem uma história de dor. Alguém que ele amava (e não sabia) cometeu suicídio no passado. Essa mulher, esse amor, vai ressuscitar duas vezes na estação orbital. É aquela segunda chance que todos nós queremos, e que muitos julgam não merecer. A cena da segunda ressurreição, depois do aparecimento da mulher, é de tirar o fôlego, e chorar, porque na minha cabeça, o verso que sempre me vem quando revejo esta cena é aquele que acusa Abril de ser o mais cruel dos meses. Banionis e Bondartchuk estão estupendos. E eu….? Sou daqueles que não merecem a ressurreição das coisas.
Ele me disse que eu tinha de esperá-lo, que um ano passaria depressa e que eu confiasse melhor nas pessoas, que nem todos eram cínicos. Isto me lembrou muito o final de Manhattan. E por um momento pensei que estava a ser guiado pelo roteiro de uma comédia romântica. Mas quando amamos alguém, um ano é todo um oceano que deve ser atravessado, se não se quer ter a experiência angustiante da espera. Para aqueles que têm o conforto que as religiões oferecem, como por exemplo, o prémio da vida eterna, um ano pode não significar nada. Mas e eu, no cume do agnosticismo, o que é eu faço com a pulsão do meu desejo? Quem é que à noite, quando até as estrelas já não têm memória, vai me despertar do meu pesadelo mais profundo? E no domingo, depois do pequeno-almoço, com quem é que eu discuto sobre a revolução na Birmânia, estampada na primeira página do jornal? Talvez o outro queira nos ensinar, através de uma pedagogia áspera, que o amor dele é superior ao nosso e que comporta perfeitamente a espera, talvez não. É provável também que o meu egoísmo tenha legitimidade de existir. Sinceramente, eu queria o filme e não a realidade.
É só isso
Não tem mais jeito
Acabou,
boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
That's it
There is no way
It's over,
Good luck
I have nothing left to say
It's only words
And what l feel
Won't change
Everything you want to give me
It too much
It's heavy
There is no peace
All you want from me
Isn't real
Expectations
Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz
Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais
Mesmo, se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha
Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais
Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who poisoned you
There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special people in the world
Now we're Falling into the night
Um bom encontro é de dois
Voilà,
Vanessa e Ben cantam o desencontro. Para o meu coração, está tudo dito.
é o título de um dos trabalhos do artista libanês Walid Raad, e mostra através do uso de um conjunto de imagens a destruição – mas também a ressurreição – de Beirute, a capital onde a minha alma se esconde, e onde terei de reencontrá-la. We can make rain but no one came do ask…