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Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.
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Sexta-feira, Junho 29, 2007
Dimanche 16 juillet à Beyrouth après un raid aérien de l’armée israélienne
Na floresta dos cedros
O mundo lá fora era isso, esse aniquilamento programado como um espectáculo para o jornal das 20h00, em ponto, sem intervalos comerciais. Tu me dizias, "habib, devemos ir a Beirute na primavera" e com esta veemência enfrentavas a destruição das coisas enquanto do outro lado do ecrã a floresta humana era abatida, em directo, sem intervalos comerciais. E naquele domingo, à noite, antes de dormir, pronunciaste o meu nome no teu sotaque antepassado, e então eu soube, habib, o significado da primavera em Beirute.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 14:16
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Terça-feira, Junho 26, 2007
Enkidu a Gilgamesh:
é noite nos teus olhos
é noite no mundo
e quando acordo pela manhã
sem ti
explode na palma
da minha mão
a rosa branca opaca
da aurora.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 15:19
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Segunda-feira, Junho 18, 2007
Interrogação de Gilgamesh a Enkidu
Seria a minha ventura essa viagem em busca de mim próprio? Esse reconciliar necessário e quase absoluto comigo onde, depois de fendida minha imagem nos espelhos em alabastro, chego até ela e interrogo: "voltei-me a ti, tu que sou eu".
- Não tem sido assim, Íria?
Escrito por OSCAR MOURAVE às 16:31
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Sexta-feira, Junho 15, 2007
Gilgamesh, Gilgamesh
Há um ano vi este espectáculo em Tunis. Eu era outro então? Gilgamesh ou Enkidu? Quem estava do lado de cá do espelho, eu ou mim? Hoje à noite volto a este mito, novamente representado por uma outra companhia árabe, aqui em Lisboa, que já foi uma cidade muçulmana. Sabes, Ridha, não tenho outra maneira de dizer isso, mas de alguma maneira enquanto eu estiver na sala vendo a representação de Gilgamesh, o meu outro eu estará aí contigo, noutra sala, noutra dimensão, talvez até em Mahdia - e sei que estaremos a falar da nossa casa e da pequena biblioteca que sonhei para mim. Quase um ano longe de ti. Sabes, esta separação tornou-nos livres, agora sei, habib, que jamais te perdi, porque estaremos sempre naquele ponto à beira-mar, a falar da vida que quisemos para nós.
- Não existe outra forma para eu dizer que ainda te amo, meu amigo.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 16:23
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Segunda-feira, Junho 11, 2007
My Beautiful Laundrette: bilhete de passagem para os anos 80. Alguém me acompanha?
Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:53
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Quarta-feira, Junho 06, 2007
lá fora, os sinos tocam.
a noite estende-se no resto do silêncio.
André Beja
E o silêncio é esse lago profundo sem margens, onde muitas das vezes vejo naufragar o entendimento que tenho coisas: apurar os sentidos através da experiência? Não, já não mais me convém errar de paixão em paixão como se a viagem que faço em busca de mim próprio precisasse de mais marinheiros do que posso ser, quantos de mim ainda terei de encontrar nesse percurso trilhado antes por Fernando, que nasceu um e morreu tantos - e eu nem gosto da poesia dele. Não, prefiro o resto do silêncio, enquanto aguardo a noite que calará o meu verbo.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 17:36
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Sábado, Junho 02, 2007
Confessions on a dance floor: one
Danças como ninguém o gozo
inconsequente dos jovens da Europa
tu em tua idade indefinida
a barba de três dias
a camisa branca e toda essa alegria
obscena -
tu e tua veemente juventude.
Depois sou habitado por outra
ordem de pensamentos e presumo
sobre tua afectação de classe
tua mediocridade intelectual
e o mundo de vidro colorido à
tua volta
aceito-te assim,
mas jamais te poderei falar
das estrelas.
Confessions on a dance floor: two
Tens uma maneira muito particular
de dançar a música que só existe na tua
cabeça
enquanto na pista todos ensaiam
uma mesma direcção
tu apontas outro caminho
e danças o desacordo da harmonia
como um deus pagão
banido.
És um pouco indelicado
porque nunca te vi beijar tua namorada
nem sequer segurar-lhe na mão
mas tenho de ser honesto
nunca ninguém me olha
como tu.
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