finisterra

Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.





Memorial:





Escreve

Sexta-feira, Março 30, 2007

 





Dimanche à Bamako


Sexta à tarde. Reunião em Lisboa preparatória para o próximo Fórum Social Europeu. Na sala o tema da imigração. Como dizia um amigo argentino, os europeus deixaram de saber das coisas. Disparates. Pensar o mundo e não a Europa no mundo. Nova forma de eurocentrismo. Pensa-se supostamente do legado europeu ao mundo. De que mundo falam? Em que mundo pensam articular as suas ideias? Alguém diz: "Pensar a imigração não somente a partir da Europa, mas em relação ao mundo", outra diz: "Responsabilizar os governos africanos, porque eles são agentes do processo", e seguem-se disparates. Discute-se a periferia do sistema, não o sistema. Eu digo: " Pensar o local é pensar o global e a Europa deve ser confrontada nos limites da sua própria democracia. O que nós imigrantes queremos são direitos políticos. Somos milhões aqui. Onde está a democracia?". Mais disparates. Vontade de fugir da sala. Volto para casa triste não por causa disso, mas porque sei dos amores não correspondidos. Tenho uma face interna, privada, onde reorganizo as esferas do mundo. E ouço música e bebo vinho barato para preencher a minha tristeza. E o que é que eu queria agora mesmo? Era um dimanche à Bamako.

Escrito por OSCAR MOURAVE às 22:19 Comentários:

 



Lawrence of Cyberia d'après Angry Arab



Escrito por OSCAR MOURAVE às 14:42 Comentários:

Quarta-feira, Março 28, 2007

 


Outra voz: Faiz Ahmad Faiz


Speak

Speak, your lips are free.
Speak, it is your own tongue.
Speak, it is your own body.
Speak, your life is still yours.

See how in the blacksmith's shop
The flame burns wild, the iron glows red;
The locks open their jaws,
And every chain begins to break.

Speak, this brief hour is long enough
Before the death of body and tongue:
Speak, 'cause the truth is not dead yet,
Speak, speak, whatever you must speak.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 14:23 Comentários:

Segunda-feira, Março 26, 2007

 
Nablus: operação "Inverno Quente"


Ele vem, o invasor,
com sua língua de metal
em fogo cuspir sobre meu solo
sagrado

ele vem, como um tronco
de oliveira conspurcada
seca e sem fruto

abre minha casa
e mata o galo branco que traz o amanhã

ele vem, e em nome do seu deus falido
imola na minha sala o seu próprio
primogénito e diz:

"eis aqui a verdade do meu pai"

ele vem à noite para ter a certeza que não durmo
ele volta pela manhã e seca o leite às mulheres da minha casa
ele vem faminto
ele quer a minha casa

e ele nunca vem sozinho.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 16:17 Comentários:

Domingo, Março 25, 2007

 
O Soneto

O Dicionário Houaiss regista que o soneto é uma pequena composição poética composta de 14 versos, com número variável de sílabas, sendo o mais frequente o decassílabo, e cujo último verso (dito chave de ouro) concentra em si a ideia principal do poema ou deve encerrá-lo de maneira a encantar ou surpreender o leitor. Pode ter a forma do soneto italiano (o mais praticado) ou do soneto inglês.

Na etimologia, o mesmo dicionário aponta que a palavra soneto é derivada do italiano sonetto (1293-1294) composição lírica formada de quatorze hendecassílabos, rimados variadamente, cujos oito primeiros formam duas quadras, e os outros formam dois tercetos, também do provençal sonet espécie de canção, de poema, e este vem do francês antigo sonet 'cançoneta', diminutivo de son 'som', aqui com o significado de ária de música (que acompanhava um verso).

Poetas ao longo do tempo praticaram esta forma poética de comunicar as inquietações da vida. Para muitos, Petrarca, Luís de Camões e Shakespeare são os nomes convocados quando pensamos no soneto.

Eu não sei como fazer um soneto. Fiz um ou dois (imperfeitos) em minha vida, não tenho talento para a versificação obediente e rigorosa. Mas tenho pensado muito em escrever um que fale da renúncia e da despedida: mas antes de escrevê-lo, duas revelações terei de fazer àquele que amo: uma é difícil (questioná-lo) porque se refere à forma como ele escreve as coisas do mundo e o seu descuido no uso das palavras. A outra revelação é mais fácil para mim, pois tem a ver com o compromisso ético que mantenho com o meu desejo, de conhecer a sua legitimidade. Por isso, se for possível, numa tarde qualquer em Lisboa, miro no fundo da paisagem dos olhos dele e digo: "eu gosto de ti, rapaz". E resguardo-me na razão possível das coisas porque sabendo da impossibilidade do nosso encontro digo de mim para comigo: "tudo bem, o sentimento de gostar é meu, faz-me mais bonito e inteligente. Ele é o único que não tira disso nenhum benefício".

Talvez nesta tarde de revelações eu chore um pouco. Vai me fazer bem. E depois de dizer o que deve ser dito, preparo as minhas malas e parto definitivamente. É provável que disso resulte um soneto, ou não.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 03:55 Comentários:

Quinta-feira, Março 22, 2007

 
E comminciò il viaggio nella vertigine


Outro dia comentavas comigo tuas inquietações de homem na casa dos trinta. Dizias-me uma coisa, o olhar apontava noutra direcção, ensaiavas uma frase e a língua desdizia-te. No entanto brilhavas quando buscavas o estatuto ontológico das coisas e querias me explicar o mundo à tua maneira, com elipses. Por vezes não compreendo a tua encenação privada, este teatro para dentro, mas és tão bom nisso que me comovo e sei que nalguns momentos posso ser teu único espectador, teu espelho irreversível, teus olhos negros na cidade branca de Deus.

Ontem foi a primeira noite desta Primavera. Um amigo (de quem gosto muito) mostrou-me um livro onde encontrei o título de um filme que nunca vi (e nem sei como é), e pensei em poesia e ela levou-me a ti com uma interrogação no peito: "talvez um dia eu te conte do meu desejo, talvez nunca".




Escrito por OSCAR MOURAVE às 12:13 Comentários:

Quarta-feira, Março 21, 2007

 
O Dia Internacional Contra a Discriminação Racial também é o Dia da Poesia



Remember Sharpeville
Remember bulllet-in-the-back day


Dennis Brutus



Hoje é dia 21 de Março e Sharpeville nos vêm à cabeça. Para aquelas pessoas que estão envolvidas na luta contra a discriminação racial, o dia de hoje é um dia especial. Ontem, conversando com um grande amigo meu, soube que cerca de 30% dos franceses se declaram racistas. Disse-me ele, "estou há tanto tempo fora da França que já não reconheço mais o meu país". E ficámos os dois com o coração mais vazio com tamanha indignidade. 30 % na nação que fez a Revolução Francesa, 30% na terra da Comuna de Paris, 30%... Este número tomou conta do meu espírito e comecei a pervertê-lo na sua racionalidade e passei a usá-lo em tudo: será que 30% de Rimbaud é racista? 30% do que Gide escreveu no seu Voyage au Congo/Le retour du Tchad é racista? 30% dos meus amigos franceses são racistas? 30% dos filmes de Godard? 30% de Isabelle Adjani? 30, 30, 30... Os números e a sua irracionalidade. Seja como for, é cada vez mais preocupante pensar que o mundo anda em retrocesso ao invés de avançar. Um aluno meu, cidadão britânico de origem asiática, muçulmano, falou-me do constrangimento que passou no aeroporto de Lisboa por desconfiarem do seu passaporte. Dizia-me ele que, nos aeroportos, quando vê que há negros na fila à sua frente, troca de lugar porque sabe que vão demorar mais: fazem-lhes mais perguntas, observam com minúcias os seus documentos. É comum em Lisboa as rusgas policiais no Martim Moniz, no Rossio, nos lugares frequentados por imigrantes. A polícia pede documentos às pessoas. Uma coisa me intriga, como fazem a abordagem? Baseados em quê? Como é ser ou parecer-se com um imigrante? Roupas? Hábitos alimentares? Aspectos físicos? Cor da pele? Alguns são mais protegidos e não sofrem o vexame de serem arbitrariamente parados por um polícia em busca de papeis. Eu sou branco, pareço-me com aquilo que muita gente se esforça por considerar "português". Estou protegido desde que mantenha a minha boca fechada, porque se não o faço percebem logo que sou brasileiro e então: "os seus documentos, se faz favor".


- Este texto é dedicado a Steve Biko, activista e político sul-africano, assassinado, e aos poetas anónimos mortos pelo apartheid: é aqui que o Dia Internacional Contra a Discriminação Racial se encontra com o Dia da Poesia, na minha opinião, na minha triste opinião.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 13:23 Comentários:

Terça-feira, Março 20, 2007

 


Quatro anos da invasão, quatro anos de ocupação, quatro anos de resistência. É para não esquecer, enquanto dormimos na segurança dos nossos lares burgueses, nós, como já disseram, "os poucos felizes".



Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:56 Comentários:

Segunda-feira, Março 19, 2007

 



É mesmo isso, e assusta.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 16:00 Comentários:

Sábado, Março 17, 2007

 



Ando tão à flor da pele,
Qualquer beijo de novela me faz chorar
Ando tão à flor da pele,
Que teu olhar "flor na janela" me faz morrer
Ando tão à flor da pele,
Que meu desejo se confunde com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele,
Que a minha pele tem o fogo do juízo final

Um barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Um bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras suicido

Oh, sim, eu estou tão cansado
Mas não pra dizer
Que não acredito mais em você
Eu não preciso de muito dinheiro
Graças a Deus
Mas vou tomar aquele velho navio
Aquele velho navio

Zeca Baleiro




Há dias em que determinadas canções fazem todo o sentido, e fazem mais, fazem a gente chorar.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 15:11 Comentários:

Sexta-feira, Março 16, 2007

 


Quero o movimento discreto da cidade, o ir e vir dos seus habitantes, quero a cidade branca de portas azuis, ser o pão fresco comprado à tardinha, ser a andorinha perdida no céu, e quero ser a verdade contida na ponta da língua no preciso momento em que tu me dizes: "eu te amo", quero ser a Place de Barcelone ao entardecer, e no teu idioma repetir a frase que fez de nós, dois sujeitos, um só coração: o meu caminho e o teu hão-de se cruzar novamente, no movimento da cidade.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:54 Comentários:

Quinta-feira, Março 15, 2007

 


Goya: el sueño de la razón produce monstruos

"Ando tão angustiado que não consigo dormir. Hoje de madrugada me dei conta de como a História (a minha ciência) é frágil e não serve para conhecer o homem; e o que é pior, tenho medo de morrer sem finalmente chegar a saber quem eu sou. Tenho o coração apertado e a alma entalada na garganta."



Escrito por OSCAR MOURAVE às 13:51 Comentários:

Segunda-feira, Março 12, 2007

 



Porque vou voltar para o Brasil: reencontrar minha ortografia mais ancestral


Todos os que têm sensibilidade sabem que o mais simples é difícil de obter. A simplicidade é um exercício obstinado de dispensar o supérfluo, de pôr fora o desnecessário. O português brasileiro fez isso. Não quero aqui dizer que nosso português seja melhor, longe de mim dizer uma sandice destas. Não, o que quero dizer é que os brasileiros (mestres em complicar as outras esferas da vida) na língua portuguesa usaram do bom senso: simplificaram-na: fonética aberta, simples no sistema pronominal, sem as consoantes mudas que tanto oneram a ortografia e mantiveram ainda o trema, aqueles dois pontinhos sobre a letra "u" que indicam a sua vocalização, que ela não deve ser esquecida, e que tanto jeito dá para quem vai ensinar a língua para os estrangeiros. Os brasileiros fizeram mais, fizeram melhor, enriqueceram a lingua com o léxico indígena e africano, aportuguesaram outros vocábulos e criam dia sim, dia também, novas palavras para dar conta da realidade sempre mutante de um país em constante vertigem. É para essa fonética e ortografia que volto, num vôo metálico entre Lisboa e Rio de Janeiro. Até aqui, na palavra vôo que o português brasileiro mantém o acento circunflexo, reabilito a minha antiga poética brasileira e vejo no circunflexo um pássaro que voa sobre a esfera do mundo, uma pequena fanopéia em movimento.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 22:11 Comentários:

Quinta-feira, Março 08, 2007

 



Porque vou voltar para o Brasil: tropeço freudiano

Confundi os bandeirantes, troquei o Anhangüera (Bartolomeu Bueno da Silva) pelo Fernão Dias Pais Leme. Foi este, não aquele que morreu agarrado a um punhado de pedras verdes pensando que eram esmeraldas. A primeira vez que eu soube desta história foi através do meu pai que gostava muito do poema "O caçador de esmeraldas" de Olavo Bilac. O meu velho pai, hoje morto e que já não me é mais um fantasma, sempre nos dizia que ficava comovido com o poema. Anos depois da sua morte li o poema no Rio de Janeiro, sozinho, em casa, com solenidade, como uma espécie de oração onde eu pudesse invocar o seu espírito. Tive de fazer o desconto parnasiano e sim, o poema é bonito, e sim, na época o fantasma do meu pai foi convocado. Mas fiz confusão desde então, e quando contava a história do poema aos amigos dizia sempre se tratar do Anhangüera e ninguém me corrigia ou me alertava para o erro. Ontem à noite, no meu quarto medieval em Lisboa, li pela terceira vez o poema. Fechou-se um ciclo, compreendo o meu pai e volto para o Brasil. Acho que eu matava o Bartolomeu Bueno da Silva porque ele é um ancestral distante da família do meu pai, e acho que não gostava do Fernão Dias Pais Leme porque ele mandara enforcar o seu próprio filho. Seja como for, tanto ele quanto o outro eram "violadores de sertões", "caçadores de índios", gente que jamais se sentaria à minha mesa. Mas é preciso quarenta anos para começarmos a ter noção destas coisas, não é?



Escrito por OSCAR MOURAVE às 17:25 Comentários:

Quarta-feira, Março 07, 2007

 


Porque vou voltar para o Brasil: metafísica da morte

Quero me apaixonar mais vezes, quero fazer trabalho social e se possível morrer debaixo de uma árvore, como o Anhanguera, agarrado a um punhado de pedra verde pensando que são esmeraldas

ou

Não vou ter uma morte tranquila. Vou morrer no anonimato, no meio do mato, de morte matada e não morrida.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:21 Comentários:

Segunda-feira, Março 05, 2007

 


Cinco canções de cinema: Tadieu Bone, Ismaël Lo


Os olhos de uma mulher que perdeu algo para sempre. Ela viaja num comboio. Ela volta. Ela tem medo, e não tem. O comboio está dentro de um túnel. Alta velocidade. Luzes. Os olhos dela. A cidade que chega. Ninguém ao meu lado no cinema. O ecrã. De repente, à saída do túnel, é a cidade à noite. Voamos sobre ela com uma música. É cantada em Wolof, não conhecemos a letra, mas sabemos tudo.


Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:27 Comentários:

Domingo, Março 04, 2007

 



O nosso melhor talento? O desperdício das oportunidades. Numa cidade grande, encontrarmo-nos casualmente tantas vezes na semana e insistirmos no pragmatismo de uma agenda. Por mim, eu fugiria para o deserto, morreria contigo à sombra de uma palmeira qualquer e dava a história por finda. Mas não, precisamos de mais poesia na vida, de encontros inesperados com a angústia onde a minha posição é sempre aquela mais à beira do abismo com a palavra na ponta língua: salto se saltares comigo. E depois do cinema, volto para casa sozinho e leio Whitman, I celebrate myself...

Escrito por OSCAR MOURAVE às 19:49 Comentários:

Quinta-feira, Março 01, 2007

 
Srebrenica: 03h49


Desperto com um aperto no coração às 03h00 da madrugada. E no meu quarto medieval em Lisboa me lembro da voz da minha bisavó que me reprimia "Não vás à Europa, os europeus não são de confiança, eles não gostam de estrangeiros. Mas a senhora é europeia. Eu pensava que era, mas eles me fizeram ver que eu sou judia, uma das poucas crianças sobreviventes de Bikernau, não vás, meu querido." E dizia-me com os receios de quem tinha passado pelo bloco das experiências no campo de concentração. Ela quase nunca falava no assunto. E com o tempo aprendemos a evitar e contornar a sua história pessoal. Mas recordar-me dela agora porquê? Vou à casa de banho, olho-me no espelho, e cito baixo um verso de Mandelstam, noutra língua que não a minha, e nem a dele, "ô siècle mien, ô mienne bête." Volto para cama com um coro composto pela minha bisavó e Mandelstam. Não consigo dormir. Faz um frio húmido em Lisboa e as casas não têm calefacção. Penso no calor do Rio de Janeiro e de como a minha bisavó gostava do Verão. Levanto-me, busco um livro qualquer. Abro numa página e leio "Visto que, e é este o tremendo privilégio da nossa geração e do meu povo, jamais houve alguém que melhor do que nós tenha conseguido captar a natureza insanável da ofensa, que se propaga como um contágio. É insensato pensar que a justiça humana a extinga. Ela é uma inesgotável fonte de mal: desfaz o corpo e a alma dos submersos, apaga-os e torna-os abjectos; levanta-se como infâmia sobre os opressores, perpetua-se como ódio nos sobreviventes, e pulula de mil maneiras, contra a própria vontade de todos, como sede de vingança, como cedência moral, como negação, como cansaço, como renúncia." É Primo Levi no topo do vulcão, no momento da libertação, ele sabia a ofensa que teria de carregar pelo resto da sua vida. Fecho a página do livro ao mesmo tempo que a minha garganta se contrai. Primo Levi junta-se à minha bisavó e Óssip Mandelstam. Vou à cozinha buscar água. No vermelho digital do relógio 03h47. Volto novamente para o quarto, com náusea. Abro o jornal do dia anterior esquecido no canto em desalinho, o meu olho corre ao destaque na direita da página, "Srebrenica foi genocídio mas sem culpado" e sou tomado imediatamente por um arrepio, e me recordo da palavra maldita, daquela criada no idioma bárbaro para nos separar da dignidade do mundo: untermensch. E me surge a geografia da devastação e uma ponte amaldiçoada entre Bikernau e Srebrenica. E começa a fazer sentido a canção triste cantada pela minha bisavó, Mandelstam, Levi e os oito mil muçulmanos bósnios mortos e desaparecidos em Srebrenica. Guardei o jornal e atravessei em vigília o resto da madrugada.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 13:17 Comentários:

 

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