finisterra

Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.





Memorial:





Escreve

Quarta-feira, Janeiro 31, 2007

 


Qawwali-Flamenco


Dizia Faiz Ali Faiz numa entrevista durante o Festival de Música de Fês, no Marrocos, que existem duas expressões humanas de que não precisamos aprender, porque já nascemos com elas: chorar e cantar. Então, a música de Faiz Ali Faiz, o Qawwali, e o seu encontro naquela noite de Junho de 2005 com o Flamenco de Duquende, Poveda e Chicuelo, reverberou ontem, nessa era da reprodutibilidade técnica absoluta, no teu quarto medieval em Lisboa e preencheu de sentido o teu mundo laico. Assim, atravessaste tranquilo na barca da madrugada mais profunda. Allah hu...




Escrito por OSCAR MOURAVE às 14:37 Comentários:

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

 
I

À tua volta a cidade pulsa
na vertigem das horas
e no céu deste Inverno

indeciso
um avião aponta qualquer
direcção

tu sabes
que ninguém
que te vai

contar as histórias
que se passaram nalgum
lugar da Califórnia

abrandas o passo
e esperas no sinal vermelho
a ordem

de seguir adiante
para tua casa
onde ninguém

te espera para o jantar.


II

No céu da cidade
branca e azul o avião:

cheio de gente e cada qual
com sua história por cumprir

para onde vai tanta gente?
Rio de Janeiro, Dallas ou Tunes?

Tanto faz o destino
porque tu, tu não te moves de ti

e como num poema da Hilda
ofereces à lâmina das horas

a vida que corre
no branco da tua nuca.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:04 Comentários:

 


"Na natureza não há linhas rectas", disse o intelectual vaidoso do seu conhecimento. O que ele se esqueceu de dizer é que a natureza humana também faz parte da Natureza. E assim vamos nós, tortos, às vezes, por linhas rectas!



Escrito por OSCAR MOURAVE às 00:40 Comentários:

Quarta-feira, Janeiro 24, 2007

 



O horror absoluto, não ter o que dizer e nem ter o talento para o silêncio. A única coisa que tenho vontade de fazer é - como aquela personagem secundária do filme - perguntar: Dove è la piscina?



Escrito por OSCAR MOURAVE às 22:21 Comentários:

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

 



"O homem, quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências. Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo-se dela, pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio. Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio. Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade. O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo. Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo. É meio-dia em nossa vida, e a face do outro nos contempla como um enigma. Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu. Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro. A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece seu nome."


De uma carta de Hélio Pellegrino in: Fernando SABINO, "O encontro marcado".



Escrito por OSCAR MOURAVE às 15:37 Comentários:

Quarta-feira, Janeiro 17, 2007

 


As cidades onde estarás comigo: Mahdia

"Mektub, Habibi" foi o que tu me disseste naquela tarde em Mahdia quando eu te antecipava a angústia da nossa separação. "Mektub, não fiques triste porque tudo estará bem". Essa tua espiritualidade fatalista, na época, me incomodava tanto, era-me tão difícil compreender como manter a calma quando tudo aquilo que tínhamos pensado, a casa em Mahdia com uma pequena biblioteca, podia se evaporar.

Hoje, aqui longe de tudo e de ti, sinto algum conforto quando digo para mim próprio: "Mektub Oscar, mektub". E Mahdia volta a me habitar, eu, esta casa ambulante que sou.



Escrito por OSCAR MOURAVE às 15:27 Comentários:

Terça-feira, Janeiro 09, 2007

 


As cidades onde estarei contigo: Argel


"Estamos em luta permanente pela conquista da nossa liberdade" disse-me ele numa explanada em Tunis. Nos seus olhos brilhava a intensidade de uma luz estranha para mim: eu não sabia o que era a liberdade. Falámos da vida, ele da sua em Ramallah, cheia de imponderabilidades, eu da minha, que no meu falso conforto também comportava as imponderabilidades; éramos os dois infelizes. Não sei qual de nós avançou a fronteira naquela tarde, julgo que fui eu, e à noite, um pouco antes de adormecer, ele disse-me ao ouvido, "Argel, devemos ir a Argel".



Escrito por OSCAR MOURAVE às 18:09 Comentários:

Terça-feira, Janeiro 02, 2007

 
A PORTA DO SOL (1923)



Criação de Robert Delaunay e Vladímir Maiakóvski
Tradução de Augusto de Campos

Completamente e descaradamente roubado à Virna no seu Papel de Rascunho.




Escrito por OSCAR MOURAVE às 13:47 Comentários:

 

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