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Nem tudo acaba aqui, e nem tudo começa.
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Domingo, Setembro 24, 2006
Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar
ela ainda estará comigo no meu túmulo...
Anna Akhmatova
DSCH
Falam tanto de ti
uns gostam e afirmam
o teu lugar no mundo
outros dizem
que foste um artista menor
quase impostor
mas para mim
tua música levar-me-á
para longe
quando eu já não for
mais deste mundo
e dele não
me restar mais
do que um prelúdio
e uma fuga.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 19:25
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Sexta-feira, Setembro 22, 2006
Tilda
todas as vezes
que te vejo
na tela do cinema
e ouço o grave
da tua voz
o meu coração
salta no trapézio
de olhos fechados.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 12:50
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Terça-feira, Setembro 19, 2006
Eu trocaria toda a poesia do mundo
lavaria nos livros os poemas escritos
deixaria-os brancos
esvaziaria os museus
tiraria dos quadros as paisagens
e as histórias enganadoras
desinventaria a roda e
seus infortúnios
eu faria tudo isso
e ainda reorientaria as esferas
se pudesse ter contigo
mais um outro dia em
Mahdia.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 12:54
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Sexta-feira, Setembro 15, 2006
Fugaz e Breve
É tão duro aprender que na vida
Nada se repete, nada se promete
E é tudo tão fugaz e tão breve.
Mafalda Veiga
De todas as breves canções de despedida que ensinaram, a tua talvez seja aquela que mais possibilidade teve sem nunca nada prometer. Eu sigo adiante sozinho, tu provavelmente também - e não estou triste. Mas ficou sim, na minha memória, a declaração subtil de melancolia oculta pela cortina dos teus olhos castanhos. E naquela noite, disfarçados entre as conversas de bar, percebi o exacto instante em que perdia um amante e ganhava um irmão. E é tudo tão fugaz, e tão breve.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 22:01
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Segunda-feira, Setembro 11, 2006
"Um poeta é um animal solitário, e a sua arte expressa o infortúnio"
Olvido García Valdez
Eu sei tu sabes
irmã
o ferimento nunca cessa por completo
e quando tudo é paz e o sol brilha
outro pássaro surge
(das montanhas)
e faz o seu ninho
no coração da ferida
eu sei tu sabes.
Escrito por OSCAR MOURAVE às 12:42
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Sexta-feira, Setembro 08, 2006
Nenhum de nós sabia exactamente
a extensão e os danos provocados
pela palavra dita
enquanto eu ocupava as horas lendo
a mesma página triste
de um romance qualquer
tu explicavas-me a arquitectura
branca e ordenada
dos teus sentimentos
e tentavas delicadamente
dizer o indizível
"não há lugar para ti no meu mundo"
Mas era à noite
na solidão do meu quarto medieval
que eu tinha de reinventar o fogo
para queimar nele
todos os livros e fazer arder
a rosa amarela dos enganos
- e a angústia
esse fruto que nos provoca a náusea
amadurecia lentamente
no interior da minha cabeça
na forma de dois versos
inacabados.
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